


Marcelino Vespeira
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Pintor português, Marcelino Macedo Vespeira nasceu a 9 de setembro de 1925, no Samouco, Alcochete, e morreu a 21 de fevereiro de 2002.
Em 1937 matricula-se na Escola de Artes Decorativas António Arroio, Lisboa. Em 1942 matriculou-se no curso de Arquitetura da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa que abandona nesse mesmo ano devido a divergências políticas com o diretor Cunha Bruto. Passa a trabalhar com Fernando Azevedo e outros jovens artistas para o ETP (Estúdio Técnico de Publicidade) onde desenha cartazes, logótipos e montras.
Em 1947, depois de uma cisão com a estética neorrealista, torna-se cofundador, em Outubro, do Grupo Surrealista de Lisboa, juntamente com nomes como José-Augusto França, Fernando Azevedo, Mário Cesariny, Alexandre O'Neill, entre outros.
Inicia, então, na sua pintura, uma primeira fase surrealista. Em agosto de 1949 passa uma temporada nas ilhas Berlengas na companhia de Fernando Lemos. O contacto direto com o mar e a natureza selvagem da ilha produziu um efeito extraordinário na sua obra, orientando-a para uma confluência formal e sígnica mais espontânea e de valor abstracionista. Em 1951, a influência da dança flamenga marca o início de uma fase em que o ritmo da música e da dança determinam o desenvolvimento formal da sua pintura, fechando o ciclo de influência direta da estética surrealista.
Em 1952 realiza a sua primeira exposição individual em conjunto com Fernando Azevedo e Fernando Lemos. No ano seguinte é um dos escolhidos para representar Portugal na 2.a Bienal de Arte Moderna de São Paulo, Brasil.
Em 1955 descobre o jazz e a sua pintura passa a intuir os ritmos livres e abstratos dessa estética moderna e cosmopolita. Em 1956, numa viagem a África, Moçambique, fica fascinado, em particular, com os ritmos e as danças tribais no interior de Moçambique, algo que influenciará decisivamente a sua pintura. A partir daí substitui os signos de inspiração jazzística por novas tensões formais e cromáticas que tendem a expandir-se na totalidade do espaço pictórico.
Em 1959 Vespeira abandona e dilui a tensão ritmada de formas bem definidas para dar mais valor a uma fusão espacial de conjunto. Esta fase irá manter-se durante quase uma década mas a obra Natiforme (1967) denota já que, embora orientado ainda por valores espaciais abstratos, existe uma vontade de regresso à figuração erótica, tendência esta que se desenvolverá mais declaradamente nas décadas de setenta e oitenta.
Em 1989 pinta o seu último óleo Fontela devido a uma doença grave que obriga o pintor a abandonar o seu trabalho. A partir desta data foram realizadas várias exposições retrospetivas da sua obra como, por exemplo, a do Museu do Chiado, de junho a setembro de 2000, que consagrou o artista com o Prémio Nacional de Artes Plásticas da AICA. |
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